Dropado: Mirai Nikki

Com a notícia de que a JBC estará lançando Mirari Nikki ano que vem para nós otakus brazucas, não tinha mais como eu enrolar pra assistir esse anime que já estava até baixado no meu computador há um certo tempo, então que venha mais uma análise, com os pontos que eu considerei relevantes para comentar, é claro que até o episódio que eu aguentei assistir. Sempre é bom avisar que esse post terá spoilers até o episódio 8, que foi até onde eu sobrevivi, se não os tivesse eu nem teria muito sobre o que falar.

Em um resumo rápido Mirai Nikki, criado por Sakae Esuno e publicado na Shonen Ace, foi concluído em 2010, com 14 volumes, sendo dois deles spin-offs, ganhou uma adaptação em anime homônima de 26 episódio, e é dessa animação que vim falar aqui.

Mirari Nikki começa com uma proposta muito boa, dar a 12 pessoas o poder de saber o que acontecerá no futuro – seja o dela mesma, do mundo a sua volta, ou até de outra pessoa – e as põe dentro de um jogo de vida e morte com o prêmio final de se tornar um Deus, mesmo que, até o episódio 8, não seja muito claro o que isso quer dizer. Com a mesma ideia de Battle Royale, e Jogos Vorazes, Mirari Nikki começa como um jogo de assassinatos entre pessoas que mal se conhecem, ou não, mas depois de um certo ponto, ao que percebi por volta do episódio 4, tudo começa a cair a qualidade e se tornar muito confuso.

O que era pra ser um ambiente denso e pesado, com morte para todos os lados, e conflitos psicológicos dos personagens foi deixado de lado para mostrar coisas típicas de outros gêneros, como algumas cenas de comédia, um romance no parque, e muito ecchi, e acho que foi exatamente essa confusão do que exatamente Mirari Nikki queria ser que tornou tudo muito raso. Porque não combina uma história tão séria com cenas tão calmas assim, em alguns episódio é como se nada daquilo estivesse acontecendo, como  se os personagens esquecessem que estão com a vida em risco e quisessem que nós também fizéssemos isso, mas se nem eu tenho uma memória tão ruim assim imaginem os japas que comem ômega 3 cru com pauzinho!

Além de todas as situações criadas que não combinam com o enredo central da história, Mirari Nikki se perde em suas explicações que sempre variam, de exageradamente ilógicas a forçadas, explicações que se qualquer um parar pra pensar não fazem sentido algum. Como a visão da personagem Tsubaki, que por mais que ela veja apenas ao alcance de sua mão isso não a impede de conversar e reconhecer muito bem qualquer pessoa que esteja do outro lado da grade que a impede de viver uma vida normal só porque ninguém a contou que existem óculos, o que ela pensa? Que todo mundo que não consegue enxergar de longe vive uma vida de presidiário? E eu ainda tentei salvar o enredo pensando “ah pode muito bem não existir óculos no universo do anime” e nesse momento me aparece um figurante, um dos seus discípulos usando um par de óculos. A tentação da dropagem foi grande, mas consegui me segurar, mesmo que graças a isso ela tenha se tornado um personagem nada crível aos meus olhos, e eu não tenha conseguido levar a sério nada do que foi mostrado em relação à ela graças a isso, até mesmo sua história pesada, que ao contrário de chocar me aborreceu, achei que o autor forçou muito a barra tentando fazer o telespectador ficar chocado com a história de abuso sexual e tudo mais de uma personagem que não fazia sentido algum. Mas calma, não dropem esse texto, o poço ainda vai mais fundo.

Eis que aparece um personagem, o Décimo Segundo, que por mais estranho e desconhecido fosse, era bastante carismático, aquele típico cara com um parafuso a menos e um jeito todo característico de agir, com uma aparência não muito humana, que faz o maior sucesso com o público otaku. E quando você está lá esperando chegar a hora de contar a história dele o danado acaba saindo de cena mais rápido que o Lee de portões abertos. De uma forma que era até quase criativa, diga-se de passagem, mas que não compensava o desperdício de um personagem tão interessante no meio daquilo tudo… uma pena.

Resumindo, Mirari Nikki tem um bom enredo, mas que é muito mal trabalhado, não tem um  desenvolvimento que favorece a história, com saídas muitas vezes forçadas e incoerentes, na verdade, pra mim a melhor parte do anime é a seção Murumuru no fim de cada episódios. Além de uma boa base da história o anime também tem ótimos personagens, que com certeza fariam o sucesso da galera que compra Gashapons se fossem melhor trabalhados e durassem mais de um episódio, como o 12º e também a criancinha que, ao menos pra mim, já era muito óbvio que seria um dos portadores do diário desde sua primeira aparição no hospital que a nona foi para adquirir o Mangekiou Sharingan eterno (péssima, eu sei).

Acabei dropando o anime, pelo simples fato de ter uma lista muito grande de animes pra ver pra continuar assistindo algo que eu esteja achando muito forçado, e que esteja até apelando pra outras coisas que não condizem com o gênero e a proposta inicial do anime. Parece que, como ele não fez sucesso na proposta inicial, o anime começou a a “atirar pra todos os lados”, apostando em situações comuns a diversos outros gêneros, como comédia e principalmente ecchi, uma inundação de fan service tomou conta dos episódios, e foi exatamente um desses momentos, que achei ridiculamente forçado, que me fizeram dropar o anime.

Um anime que pra mim, e pelos comentários que vi na internet pra muitas outras pessoas, tem uma boa proposta, uma ideia interessante, porém muito mal trabalhada, com um desenvolvimento muito precário, realmente chega a dar dó. Essa é uma das situações perfeitas pra deixar uma dica: se estiver vendo um anime que não está gostando, e ver que ele chegou num ponto em que a salvação não existe mais, que a mudança é impossível, parta para outro, são muitos animes naquela velha lista que só aumenta para gastarmos nosso tempo acreditando em algo que não gostamos.

Segue em baixo mais umas imagens para mostrar o clima do anime, com um pequeno spoiler mostrando todos os donos de diário na última foto que é facilmente ignorável:

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