The Innocent, é isso que você precisa ser para comprá-lo

The Inocent, o tal mangá de volume único, recém lançado pela editora em ascendência, JBC, pegou muitos de surpresa. Com um título um tanto quanto desconhecido, que trazia três países diferentes em união para faze um mangá, a Coréia, representada por Ko Ya-Seong que cuidou da arte, o japonês Fujisaku Junichi e um dos co-fundadores da Marvel, Avi Arad colaborando na criação da história. Muito provavelmente você ficou tão impactado quanto eu ao ver um dos “fodões” das HQs por trás desse projeto, e aliado a um traço que chama a atenção de qualquer um. Quem não gastaria seus 10,90 para experimentar o produto de tantos esforços?

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Muito bem, The Innocent conta a história de Ash Ketchium, da cidade de Pallet! que está no “limbo”, o tal julgamento pós morte. Lá ele descobre que para purificar sua alma ele tem que salvar uma pessoa inocente da morte, assim podendo ter sua alma reciclada e reutilizada em uma nova vida na Terra. Essa história em si já não me chama a atenção, e o que vem a seguir consegue ser menos interessante do que isso.

A história segue apresentando diversos personagens que, fisicamente, são praticamente iguais, o método que você vai usar para diferenciá-los é o tamanho do cabelo (o que não ajuda nos personagens femininos). E pior do que não reconhecer os personagens é conhecê-los. Ninguém, sério, ninguém me agradou nesse mangá, o personagem principal não conseguiu me cativar, nem com toda suas poses legais, cabelos de Light, frases que ignoravam qualquer coerência em prol do “coolest”, e nem o cabelo de Light. O que você mais vai encontrar por aqui é esse tipo de personagem, o cara super foda, todo estiloso, mas que não faz sentido nenhum, todas suas ações só são explicadas pela ideia de que eles estão tentando ser “maneiros” em cada quadrinho, mesmo que tenham que fazer coisas sem sentido. Encaixando nesse perfil o protagonista e o capanga-mor do vilão.

A história toda se sustenta em um clichê que nem tenta se diferenciar, o que, com ajuda dos personagens sem coerência, mas sempre legais, torna tudo muito forçado e mecânico. A típica garota cria uma afeição pelo protagonista que eu nem precisei me esforçar pra perceber o quão forçado aquilo era. Se quer tiveram o trabalho de tornar as motivações dos personagens críveis. A história muitas vezes jogava uma informação logo naquele momento que você está ocupado, tentando descobrir se aquele personagem baleado era o protagonista ou aquele outro, com o auxílio da régua (que devia vir junto com o volume). E já que nem a história e os personagens me cativaram, eu simplesmente continuava lendo, sem me importar com quem morreu ou que revelação sem sentido acabaram de cuspir da minha cara.

Após passar pela sofrível experiência de descobrir que aqueles personagens tão bonitos não passam disso, comecei a perceber uma coisa. Esse mangá tem uma arte muito bonita, mas ela não é boa. Explicando… qualquer um que olhar para a capa ou qualquer desenho do mangá vai acabar achando aquilo tudo muito bonito, e sim realmente é, o que define uma arte bonita. Mas conforme lia percebi que em alguns momentos não sabia quem era tal personagem, se era o Ash, ou o Joshua, ou a Mist… Psyduck? O método de diferenciação pelo comprimento capilar não funciona em todos os quadrinhos. Isso sem contar a advogada que é irmã gêmea da irmã que é igual a mulher do cara que até agora eu num sei se era o Joshua ou um terceiro personagem…

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Se você não entendeu nada do parágrafo anterior então consegui passar o que eu senti durante a metade desse “mangá mundial”. Caracterizei então a arte como “não boa” por não funcionar no mangá, ela cria confusão para o leitor, dificuldade para diferenciar os personagens, e até mesmo se você comparar o personagem na capa vai perceber que ele não se parece nada com o de dentro do mangá (ao menos pra mim), e eles supostamente são a mesma pessoa. E mesmo com o traço bonito, em alguns – na verdade vários – momentos ele caia muito de qualidade, os olhos dos personagens me pareciam muito estranhos, principalmente os femininos. A arte passava de uma verdadeira obra admirável para uma cena que faz você pensar “tem alguma coisa errada com o rosto desse cara…”.

Indo para a parte gráfica. Logo no primeiro balão já constatei um problema, tive que aplicar técnicas de yoga no pobre mangá, para ainda assim não conseguir ler a palavra por completo de um balão que se escondia no encontro das páginas. Consegui ver o suficiente pra deduzir a palavra, e isso não é nada legal. Vai que aquela palavra faria todo o mangá ter sentido, e por isso eu não gostei…. pode acontecer. Um simples formato maior pro mangá teria resolvido isso, falo isso por eu não ser um grande fã desses mangás “micros”, tamanhos como os de Bakuman, Fairy Tail me agradam mais do que o pobre nanismo aplicado no Soul Eater.

Resumindo, páginas muito próximas do miolo do mangá, escondendo alguns balões, personagens nada carismáticos, história forçada recheadas de clichê, com direito a um final que deixa de lado qualquer coisa relacionada à criatividade, uma arte bonita, mas que  consegue atrapalhar a leitura do mangá que já não é lá agradável.

É até chato ficar só reclamando e reclamando do mangá, mas infelizmente é essa a experiência que o mangá me proporcionou. Realmente me arrependo de ter comprado. A boa notícia é que é apenas um volume, o suficiente pra equilibrar aquela mesa com um dos pés menores.

E pra finalizar quero lembrar que isso tudo é só a minha opinião, e ela serve para ser criticada, apoiada, comentada, ignorada, virar um post, qualquer coisa que vocês quiserem. Se discordam ou concordam deixem sua opinião nos comentários, vou adorar se alguém conseguir me mostrar um aspecto bom desse mangá.

E antes que eu esqueça… fiquem com a capa do mangá:
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