Manga of the Dead – Vale a pena ou não?

Eu sei que esse mangá já é notícia velha, mas foi tudo por culpa do meu gigantesco atraso, ok, era pra ter saído bem antes, mas se você mora nas regiões de fase 2, talvez ainda possam tirar proveito do post, e quem ainda não adquiriu o mangá também.

Não ia investir minha limitada grana nesse mangá, não que a ideia de várias histórias curtas de zumbis não me agrade, mas prefiro juntar pra comprar aquele dos gigantes, ou o homem mais forte do universo, isso sem falar dos lançamentos que me aguardam no ano que vem. Mas eis que me chega uma sexta-feira negra em que tudo fica a preço de banana, e foi graças a esses descontos incríveis que levei pra casa os 4 primeiros volumes de Death Note Black Edition *-* e porque não pagar quase a metade pela tal obra dos mortos vivos?

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Mangá of the Dead é bem isso, uma compilação com várias histórias de autores que ninguém conhece (não se engane pelo presença do tal autor de Blade of the Imortal, que na verdade só faz uma arte pra ilustrar a divisão de um dos capítulos). Comecei a ler e logo no fim da segunda história senti o impulso de gritar pro mundo o que estava vendo ali. Resolvi fazer o seguinte, ler cada uma das histórias e deixar a minha impressão sobre, no momento em que termino, o que senti logo que terminei a última página de cada um dos oneshots. No total são oito histórias, ou seja, oito comentários, mas se você não quiser ler a opinião de cada capítulo separado pule para o último parágrafo que vai ser uma visão geral do mangá como um todo.

How To Read:

É assim que vai funcionar, cada parágrafo será uma das histórias contadas no mangá, falarei o título, o autor, uma pequena introdução da história, o que achei e por último o que você deve esperar encontrar naquele oneshot. No final de tudo farei uma visão geral do que achei da obra como um todo e o que você deve esperar quando for comprar o mangá. Então se você estiver com receio de ler spoilers, ou não querer ver mais informações sobre algo tão curto como um oneshot, ou simplesmente estiver com preguiça de ler o post, que ficou bem grandinho mesmo, pule pro fim e leia o penúltimo parágrafo. Viu como sou bonzinho?

Obs: Quem reparou a referência a Death Note ganha uma paçoca.

Na primeira história, “And I love her”, conhecemos uma garoto, que na terceira página descobri ser uma garota, meio de má com a vida e quer acaba tendo que lidar com a peste dos zumbis, se eu falar mais que siso é spoiler, sério. Bem, a arte me agradou, é algo bem sujo, sem um traço muito firme ou detalhado, muita tinta, retículas, traços grossos e irregulares nas páginas, o que pra mim combinou com esse clima grotesco dos zumbis. A história é bem simples, sem grandes reviravoltas, tem sim um clímax, mas acaba antes de você perceber.

O segundo já não teve o mesmo efeito do primeiro, aqui o Ecchi rola solto, e o autor teve uma preocupação maior em bolar uma historinha para o personagem principal e sua irmã recém transformada. Não quer dizer que exista uma história interessante e envolvente, mas esperem por várias cenas de calcinha, de vários ângulos, muito sangue e tripas de zumbis. Não sou um grande fã de ecchi, mas vi que a obra era voltada pra galera que gosta desse tipo de fanservice, mas o que mais me incomodou foram as cenas de ação, que por mais que eu encarasse, entortasse o pescoço, girasse o mangá faziam sentido. Em vários momentos tive a sensação que faltava um quadrinho pra explicar como um certo movimento aconteceu, e os monstros formados de tripas por todo o corpo eram quase indecifráveis, ainda mais quando estavam sendo mutilados. Em resumo, quadrinhos que disputam seu espaço entre tripas, sangue, calcinha, e peitos, e acabam não tendo lugar para a lógica. Tirando o final que me deixou em estado de “WTF??”

O terceiro conto “Crianças! Não vivam com cadáveres!” também não é muito melhor que seus antecessores; Começa de um jeito bem bacana, causando um desconforto no leitor, principalmente por nesse oneshot os protagonista serem duas crianças que devem ter entre 5 e 7 anos. A história é basicamente a de uma família que teve os dois pais transformados em zumbis, restando apenas os dois filhos, um menino mais novo e uma menina mais velha, mas na faixa etária que descrevi ali me cima, eles ficam em casa até que a comida acabe e inevitavelmente tenham que sair para o mundo infestado de mortos vivos em busca de alimento. Seria tudo muito bacana se não fosse tão absurdo, mesmo pra crianças que estão em um mundo apocalíptico, eles não conseguiram me fazer acreditar naquilo, pra mim foi tudo muito forçado, a forma como lidavam com os pais transformados, e até a forma que conseguiram comida pra eles (pra não dar spoilers) foi tudo muito forçado pra mim, não conseguiu me envolver e muito menos comprar aquela história. Crianças que não agem como tal, e muita forçação de barra pra tentar te abalar, é o que você vai encontrar nesse conto.

Em seguida vem o simplesmente “Zumbi”, de Toranosuke Shimada. ao contrário da história passada essa não tenta te abalar, seja com sangue, ou emocionalmente, é uma simples história de como seria o início de um zumbi, o primeiro a aparecer na cidade, ou algo assim. Esse é um daqueles contos que você termina, para, e reflete, depois mais um pouco, e decide que não era pra ter pensado tanto mesmo. É algo bastante simples, um grupo de pessoas estão e uma reunião de ex-alunos, aquelas que as pessoas quando já adultas voltam para o colégio que estudaram para reencontrar com seus colegas de classe da época. E lá ele começam a falar das pessoas que conheciam no colégio e que já morreram, até que um deles conta sobre um tal de Saito que morreu, mas depois de seu velório seu caixão estava vazio. Não é por nada não, mas a minha sinopse tá mais interessante que o próprio oneshot. Não espere muita coisa nesse conto, nem no traço nem no roteiro, são linhas simples pra contar uma história simples, o que nesse caso funciona já que ela nunca teve a pretensão de querer te assustar ou incomodar. Até agora é o único que conseguiu fazer bem o que se propôs a fazer.

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E o próximo é: “O Campo das Almas Mortas”. Aqui temos, como posso dizer… algo um pouco mais elaborado do que as outras histórias. O autor se preocupou em apresentar os personagens, criar um enredo e revelações, o que não quer dizer que seja uma história muito complexa. Devo dizer que até agora foi o que eu mais gostei, a história não tem nada de muito surpreendente, mas a narrativa acontece de forma muito fluida, por mais que tenha flashbacks que explicam cenas já apresentadas nada é difícil de se entender aqui, os quadros não são poluídos com muitas informação, e a história é contada de forma bem suave, não sei como explicar isso ao certo mas senti que tava tudo bem explicadinho e sendo contado de forma agradável, e isso o foi o que mais me agradou aqui, e também o que mas diferencia esse conto dos outros. Quanto a arte, existem vários problemas de perspectiva e alguns de anatomia mas nada que torne a leitura desagradável. Na verdade, eu tive um “feeling” de que era um mangaka que estava aprendendo ainda, que ainda estava desenvolvendo seu traço e evoluido, o que achei legal, gosto quando percebo o esforço do autor pra contar uma história, e nessa eu vi isso. O que esperar? Nada de extraordinário, apenas uma história envolvente e simples, sem grandes pretensões, mas bastante agradável de ser lida, principalmente depois das histórias anteriores.

Em seguida Shonen Zombie, de Shin-Ichi Hiromoto. Bem o que dizer…. loucura, muita loucura nesse oneshot. Tudo já começa com um traço muito rabiscado e muito, mas muito, poluído. Parece até que é uma criança desenhando. Poucas páginas depois a coisa melhora, bem pouco, é como se o autor tivesse desenhado enquanto viajava em um carro, de três rodas, numa montanha, com brita, de ré. O traço é muito tremido, e bem rabiscado, e você pode estar pensando que eu odiei, mas hora é claro que não, nesse caso isso super funcionou! Pensa com o tio, é uma história sobre zumbis e sangue, e tiros explodindo cabeças, muita nojeira, qual o melhor jeito de representar tudo isso? Rabisca tudo! E foi isso que o autor fez, mas é claro que isso deu tão certo por ser uma história que tem o objetivo maior de divertir, não te emocionar com a história do protagonista, ou te assustar, mas te fazer rir, seja das situações absurdas que ele imagina pra conseguir dinheiro (quem leu sabe), ou de como o fato da virgindade afeta o guri, tudo é voltado para a diversão seja através das risadas que você dá ou do sangue jorrando por todas as partes, com alguns seios e outras coisinhas mais… e tudo isso bem gore, bem nojento e sujo e rabiscado. Ah sim, até agora não falei sobre o que é a história. Bem, é mais um mundo apocalíptico e aqui um garoto tem que arranjar um emprego pra conseguir se sustentar, e como as opção não são muitas ele vai atrás de um boato de um tal de empregado de lavagem de cadáveres, e o resto vocês descobrem lendo. O que esperar, primeiro de tudo um susto, mas conforme você analisa começa a entender o visual da obra, e até repara que o/a autor(a) sabe sim desenhar, tem uma ótima noção de perspectiva e anatomia, mas que decidiu usar esse estilo bem poluído pra contar sua história, então uma história divertida, bem visual, com alguns toques de nonsense e bastante envolvente, se procura por diversão pura sem uma história ou enrolação é aqui o ponto, pode descer.

O próximo: Figh of the Living Dead, de Tomohiro Koizumi. Tenho um irmão de 6 anos, se eu falasse pra ele desenhar um quadrinho sobre zumbis, com certeza sairia algo bem parecido com esse oneshot. Ao contrário dos outros casos em que o desenho extremamente simples e sem muitos detalhes conseguia se envolver com a narrativa e passar sem grandes problemas nesse caso os desenhos são tão ruins quanto a história. OK, vamos para o resuminho: aqui temos um grupo de 3 homens, sendo um deles lutador e os outros dois seus amigos que o ajudam a treinar, ele vai ter uma luta hoje que se vencer pode ajudar ele a passar de nível e ter mais chances de ser profissional, mas no dia dá luta ele está vomitando e passando bastante mal, mas diz que mesmo assim vai participar, depois disso temos a luta e qualquer palavra a mais seria um spoiler. Talvez seria até melhor contar o final aqui logo para economizar o tempo de vocês, mesmo com a história tendo poucas páginas. O traço é realmente muito ruim, com problemas de anatomia, nenhuma sombra, e o uso mais básico de retículas, é como disse no começo, parece algo feito por uma criança. E para piorar o autor resolve colocar cenas de luta na história, só pra mostrar como ele consegue deixar a anatomia ainda pior. Enfim, uma história incrivelmente superficial, com um traço ruim e sem nenhum atrativo, enquanto passava as páginas ela me fez pensar: “ainda bem que comprei em promoção”. E última coisa, se você fica pensando as vezes em fazer um quadrinho mas nunca tenta porque acha que não desenha o suficiente, então aconselho que leiam essa história, acho que essa é a única razão mesmo.

E o último! Homem Solvente Orgânico: Organogel, de Atsushi Fukao (quase Atsushi Ohkubo, autor do meu amado Soul Eater, será que eles tem algum parentesco?). Esse vai ser mais um daqueles que as páginas são mais pretas do que brancas, desenhos rabiscados, e que na maioria das vezes você terá que analisar o quadrinho para distinguir o que está ali, mas em geral você sempre consegue desvendar o que está desenhado. E é como eu disse nos outros oneshot com esse visual, essa sujeira, esse traço pesado ajuda em histórias de terror de zumbis, fica tudo meio gore, sangrento, e é isso que essa história pede. Aqui conhecemos um mundo em que uma arma biológica infectou grande parte da população mundial e um homem é contratado para eliminar os responsáveis por essa arma. Mas o protagonista não é esse cara, mas uma garotinha que tem algum parentesco com o tal causador da epidemia. A história é bem rápida e nem um pouco profunda, com um pouco de uma ação confusa, tentando sempre apelar bastante pro visual, conseguindo em algumas horas e falhando em outras. Alguns quadros são bem nojento e realmente legais, e outros são uma mancha indistinguível. Mas o mais decepcionante ficou para o final, que acaba sendo praticamente igual com o fim de um dos outros oneshots dessa compilação. Deixo pra vocês descobrirem de qual estou falando.  😉

Manga of the Dead, depois de terminar a leitura me pergunto, mas por que diabos a JBC trouxe isso pra cá? Não é muito difícil deduzir que é nada mais que uma tentativa de pegar carona no recente sucesso que os mortos vivos vem tendo, seja nas HQs ou nas séries de TV (olá TWD), ou até nos jogos (L4D, PvsZ, etc etc etc). Mas ao contrário de um outro mangá com o tema, High School of the Dead (que por sinal eu adoro, mesmo não curtindo nem um pouco ecchi), essa obra não conseguiu me agradar, e acho que não irá agradar grande parte do público que esperava uma compilação com diversas histórias interessantes e diferentes de zumbis, que foi basicamente o que Cassius Medauar disse pra vender a compilação. Ou seja, se você espera grandes coisas desse mangá, desista, são poucas as histórias realmente legais que valem a compra, e no geral, fazendo um balanço levando tudo em consideração, nem com o mangá em promoção valha a pena, só se você for realmente daqueles aficionado por zumbis, que tem uma tatuagem de algum órgão exposto, e mesmo assim ainda acho que vai se arrepender. A melhor maneira de saber se vai gostar ou não? Vai na banca, ou livraria, sei lá, dá aquela lida folheada marota, se você leu as análises dos capítulos, vá direto nos que te chamaram a atenção, se achar que vale a pena vá em frente, por que pelo menos a qualidade gráfica tá maravilhosa, com orelhas e tudo mais. É um daqueles mangás que é gostoso ficar esfregando a mão na capa, ou sou só eu que faço isso… É isso internautas, digam o que acharam do post, se falei de mais, ou de menos, se compraram 7 volumes do mangá de tanto que acharam bom e que eu só falei merda, se concordam, apenas digam, faz bem pra pele, e me motiva a continuar escrevendo. Então até o próximo texto, tchau!

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